Tem gente que dorme no Metrô. Em pé ou sentado, eu sou uma dessas pessoas. A prática foi adquirida com muitos anos de experiência. Durmo pouco, cerca de 4 horas por dia. Tenho um sono agitado. Sonho com dinossauros me perseguindo, mas eles nunca me comem. Acordo assustado, frustrado. É um caos.
Mas no Metrô não. É um sono suave, embalado pelo leve balançar da composição. Com o aperto, da estação Brás, me sinto acolhido. O calor humano chega a ser aconchegante. Quando estou sentado, apóio a cabeça no vidro se estiver com muito sono. Se o cansaço for pouco, procuro manter a concentração e segurar, fazendo força no pescoço pra não cair no ombro ou no colo de alguém. Já fiz amizades importantes pedindo desculpas por ‘pescadas involuntárias’.
Em pé é um pouco mais difícil. Segure com força no ferro apoiado no teto, encoste a testa nos braços e descanse. Deixe o sono REM (R.E.M. ajuda a dormir também) te tomar até ouvir “desembarque pelo lado esquerdo do trem”. Caso algum solavanco mais brusco te faça perder o equilíbrio, finja que tropeçou. Funciona. Jamais deixe perceberem seu sono. Quando o vagão está cheio é impossível cair. Evite tirar seu pé do chão. Você pode não conseguir colocá-lo de volta, tipo, nunca mais.
Dia desses, o destino me pegou. Estava eu sentado no banco, dormindo, a caminho da estação Alto do Ipiranga da Linha Verde. Lá é tranqüilo, mas eu estava em um sono agitado. Via pessoas entrarem e saírem do vagão sem parar e era como se o trem seguisse a ritmo de trem-bala. Mas, toda vez que abria os olhos, observava o vazio e o silêncio. Melhor dormir.
E fui assim até a estação Paraíso. Eis que sou acordado um leve tocar de dedos no meu ombro. Eu estava suado, suado, suado. E eu não suo nem que fique em uma academia por 2 horas (não é empírico, jamais passo de 30 minutos). Perturbado pelo meu estado, observo que metade do vagão olha em minha direção, esboçando risos (não sorrisos) e atenção.
“Calma, calma, está tudo bem“, me diz o rapaz, ainda com a mão em meu ombro. Pergunto o que aconteceu e ele me diz: “Você estava agitando, mexendo o corpo no banco, com os braços cruzados e batendo o pé, dizendo ‘Não, não, não, agora não. Nãaaaaaao….agora naaaaao! Não quero‘”.
Coberto de gargalhadas alheias, eu agradeço, pego minhas coisas e desembargo do lado esquerdo do trem. Moral da história: cuidado ao dormir no Metrô com frequência. Você pode começar a se sentir em casa. Agradeço a Deus por não ter sido um wet dream…ou será que foi? E você, já dormiu onde não devia?





Olha, diz a lenda que eu já dormi andando, de dar cochiladinhas entre cada pisadela no chão. Eu digo que é verdade, mas ninguém acredita.
puta que pariu, felipe
Eu tenho algumas historinhas legais de ‘micos’ em ônibus, mas não só dormindo, pago vários deles acordada. Quando durmo é praxe sonhar que estou caindo e acordar pulando. Sim, no ônibus mesmo. Geralmente as pessoas olham com cara de dó.
Uma vez, bem acordada, eu segurava no corrimão mais alto com as duas mãos. Ainda não tinha os 1,70 que tenho hoje e quando chegou uma curva os meus pés se levantaram do chão e eu fiquei uns 10 segundos segurando todo o meu peso nos meus braçinhos finos e tentando não chutar a pessoa que estava na minha frente, lutando contra a gravidade mesmo, sabe… Mas é isso, vc não está só!
Bjo!
Olha, adoro tudo o que leio aqui viu?